Falar de Romaria

Reflexões sobre a romaria em encontro organizado pela Câmara do Nordeste

 
A Câmara do Nordeste promoveu uma reflexão à volta do movimento da romaria, convidando dois mestres de romeiros do concelho, o presidente do Movimento de Romeiros de São Miguel e um elemento do clero, tendo todos em comum o facto de também serem irmãos romeiros.

O encontro, aberto à participação da população, permitiu levantar algumas questões sobre o verdadeiro espírito da romaria; sobre o desempenho do romeiro na sua paróquia e na comunidade, para além da semana de peregrinação; sobre o respeito pelos símbolos, a postura e a atitude correta do romeiro e as regras que envolvem a romaria; sobre a preparação espiritual que antecede a semana de romaria, e ainda sobre o movimento religioso que é romaria e a sua coordenação com a igreja, sendo um movimento, na opinião de todos os intervenientes, que deve ser apoiado o ano inteiro nas respetivas paróquias.

Estes apontamentos, lançados para reflexão, foram deixados sobretudo pelo pároco David Barcelos, da Paróquia de Nossa Senhora da Saúde, dos Arrifes, cabendo aos dois mestres de romeiros do concelho do Nordeste, Norberto Leite, do rancho de Nossa Senhora da Luz e de São Jorge, e a Daniel Pimentel, do rancho de São Pedro e Santo António Nordestinho, partilhar o seu testemunho de irmãos e de mestres.
Norberto Leite é há várias décadas o irmão-mestre do rancho da freguesia do Nordeste, sendo Daniel Pimentel responsável por levantar o rancho de romeiros de São Pedro do Nordestinho passado 29 anos após a última romaria saída daquela freguesia.

Ao Movimento de Romeiros de São Miguel, através do presidente João Carlos Leite, coube apresentar o trabalho realizado por este movimento em prol da preservação da tradição religiosa e cultural da romaria, sendo uma expressão única da ilha de São Miguel, que remonta a mais de 500 anos de existência e cujo património humano merece ser conservado e partilhado.

Indo ao encontro da preservação desta tradição secular, João Carlos Leite referiu-se à equipa da cultura criada pelo movimento, constituída por um grupo de voluntários a quem cabe a recolha de relatos e de tradições, que se foram perdendo com o passar dos anos, assim como fazer o registo de sons dos diversos ranchos da ilha- cuja entoação dada aos cânticos diverge- e proceder a um trabalho de preservação dos símbolos identitários dos romeiros, indo da indumentária aos adereços, devendo os mesmos ser reunidos num espaço-museu dedicado à romaria e aos romeiros.
Neste momento, de acordo com informação deixada pelo movimento, encontram-se ativos 55 ranchos e 2500 romeiros na ilha de São Miguel.

O Movimento de Romeiros de São Miguel está a apostar também na constituição de equipas de trabalho para a área da comunicação, com o objetivo de dar a conhecer o trabalho do movimento, assim como da formação, estando aqui incluída a preparação para a romaria mas também do romeiro como cidadão ativo, nomeadamente na sua pastoral.

O encontro promovido pelo município do Nordeste, inserido no período quaresmal, foi ao encontro da reflexão pretendida aquando da sua organização, disse na ocasião o presidente da autarquia, Carlos Mendonça, moderador do debate, sendo a romaria um movimento que ainda tem expressão no concelho do Nordeste e do qual saem todos os anos quatro ranchos de romeiros.

No encontro organizado pelo município foi ainda exibido um filme sobre a Ermida de Nossa Senhora do Pranto, produzido por Pedro Gaipo e promovido pela autarquia.