{"id":8891,"date":"2017-02-02T11:43:02","date_gmt":"2017-02-02T11:43:02","guid":{"rendered":"https:\/\/cmnordeste.pt\/municipio\/?p=8891"},"modified":"2017-02-02T15:22:45","modified_gmt":"2017-02-02T15:22:45","slug":"entrevista-paula-duarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cmnordeste.pt\/municipio\/2017\/02\/02\/entrevista-paula-duarte\/","title":{"rendered":"Entrevista Paula Duarte"},"content":{"rendered":"<p>ENTREVISTA <strong>Paula Duarte<\/strong><br \/>\nDoente oncol\u00f3gica<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Em 2004 foi detetado um cancro da mama a Paula Duarte. A doen\u00e7a apanhou-a de surpresa \u2013 como acontece a quase todas as pessoas que passaram por esta situa\u00e7\u00e3o \u2013 e manifestou-se num estado j\u00e1 muito grave, tratando-se de um tumor abrasivo al\u00e9m de pouco comum.<br \/>\nDo diagn\u00f3stico \u00e0 \u201ccura\u201d do cancro, a paciente relata-nos as diferentes fases da doen\u00e7a, dando-nos o seu testemunho sobre o que \u00e9 ser um doente oncol\u00f3gico e sobre algumas pr\u00e1ticas que poderiam ser implementadas a bem do conforto psicol\u00f3gico destes doentes.<br \/>\nEsta entrevista surge a prop\u00f3sito do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, que se assinala a 4 de fevereiro, tendo a Paula Duarte aceitado o convite do munic\u00edpio do Nordeste no sentido de dar o seu contributo para o esclarecimento da doen\u00e7a.<br \/>\nA Paula Duarte \u00e9 funcion\u00e1ria da Escola B\u00e1sica e Secund\u00e1ria do Nordeste, \u00e9 natural da freguesia da Salga e reside na Lomba da Fazenda.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que tipo de cancro teve?<\/strong><br \/>\nO meu cancro chamava-se Doen\u00e7a de Paget Mam\u00e1ria. \u00c9 raro e respons\u00e1vel por 1% de todos os cancros da mama.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Como lhe foi detetado o cancro?<\/strong><br \/>\nFoi detetado atrav\u00e9s de um l\u00edquido que me saiu do mamilo. Ao reparar no l\u00edquido, fui ao Centro de Sa\u00fade falar com a minha m\u00e9dica de fam\u00edlia. Na altura, disse-me que talvez fosse uma alergia aos soutiens (eu usava sempre o mesmo tipo de soutien) e que desse ali Betadine.<\/p>\n<p>Fui para casa, fiz as aplica\u00e7\u00f5es indicadas, mas n\u00e3o passou. Voltei ao Centro de Sa\u00fade, tendo a m\u00e9dica de fam\u00edlia pedido a avalia\u00e7\u00e3o de um dos m\u00e9dicos que se encontravam de servi\u00e7o. A avalia\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico foi que deveria tratar-se de uma alergia qualquer, e deu-me a medica\u00e7\u00e3o para a alergia. Mas, como tenho uma prima m\u00e9dica em Ponta Delgada, que \u00e9 ginecologista, telefonei-lhe a dar-lhe conta do estado em que eu me encontrava. Disse-me para aplicar no mamilo Fucidine e Betadine, durante sete dias. Depois disso, caso persistisse, deveria ir l\u00e1 a baixo . Na altura, at\u00e9 usava umas compressas, uma vez que me incomodava o l\u00edquido no soutien.<\/p>\n<p>Passaram-se os sete dias, e tal foi o meu espanto verificar que continuava tudo igual. Fui para Ponta Delgada, e a minha familiar fez-me uma biopsia ao l\u00edquido e ao sangue do mamilo. Logo que ela me fez a biopsia, adiantei-me a dizer que aquilo ia ser um cancro, mas ela chamou-me de doida, dizendo que n\u00e3o seria nada disso.<br \/>\nDepois disto, vim para cima  e aguardei o resultado do exame.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>At\u00e9 ir \u00e0 consulta do m\u00e9dico de prepara\u00e7\u00e3o para a opera\u00e7\u00e3o, tinha sempre na cabe\u00e7a que me tinham trocado os exames, que aquilo n\u00e3o podia ser comigo.<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como reagiu e como reagiram as pessoas mais pr\u00f3ximas de si?<\/strong><br \/>\nQuando chegaram os benditos resultados, fui novamente \u00e0 consulta a Ponta Delgada.<\/p>\n<p>Entrei para falar como a m\u00e9dica e fui logo dizendo que era um cancro, mas ela voltou a dizer que n\u00e3o, que n\u00e3o era nada disso.<\/p>\n<p>\u201cSe eu vou \u00e9 ter isso, at\u00e9 j\u00e1 preparei a minha cabeleira e tudo\u201d. Disse-lhe nessa consulta. Mas, claro, disse-o na expectativa de que n\u00e3o ia ser comigo.<\/p>\n<p>Ela l\u00e1 abriu a carta, e come\u00e7a a ler \u201cpaget, paget, paget\u2026\u201d Pega no telefone e liga para uma colega sua e, a seguir, para a doutora que fazia as mamografias. E depois ainda para outro colega. E eu a ouvir aquilo tudo. A seguir a isto, saiu do consult\u00f3rio comigo, dizendo \u00e0s pessoas, que se encontravam na sala, \u201colhem, se quiserem esperar esperem, se n\u00e3o quiserem, eu tenho um assunto urgente a ser resolvido agora.\u201d<\/p>\n<p>Foi comigo para a doutora da mamografia. Foi-me feita uma ecografia, onde foram detetados v\u00e1rios g\u00e2nglios, incluindo tr\u00eas na axila. Naquele momento, senti o mundo a desabar sobre a minha cabe\u00e7a\u2026 S\u00f3 pensei \u201cvou morrer, n\u00e3o tenho mais hip\u00f3teses.\u201d<br \/>\nA doutora, por sua vez, s\u00f3 me dizia, \u201ctenha calma, tenha calma\u201d.<\/p>\n<p>Foi uma grande especialista e uma grande amiga. No fim do exame, tirou-me a chave do carro, porque n\u00e3o queria que eu fosse a conduzir para cima. Quanto a mim, ia, nos corredores do hospital, de lado a lado. Nessa hora, encontrei uma Paula, que \u00e9 daqui de cima, que me perguntou o que se passava, e a minha prima contou-lhe. A partir da\u00ed, nunca mais me largou, foi a minha pedra naquele momento, at\u00e9 irem buscar-me a Ponta Delgada.<\/p>\n<p>A seguir fui operada, aqui em Ponta Delgada. Mas, at\u00e9 ir \u00e0 consulta do m\u00e9dico de prepara\u00e7\u00e3o para a opera\u00e7\u00e3o, tinha sempre na cabe\u00e7a que me tinham trocado os exames, que aquilo n\u00e3o podia ser comigo.<\/p>\n<p>Quando o m\u00e9dico me chamou, disse-me que n\u00e3o tinha nenhuma hip\u00f3tese e que era para amputar, o quanto antes. Fiz a amputa\u00e7\u00e3o da mama. Tinha que estar l\u00e1 cinco a sete dias antes e estive 12.<\/p>\n<p>Tinha o meu filho, que nem tinha dois anos, tendo sido um dos grandes problemas com que me deparei: quando eu o podia abra\u00e7ar, antes disto tudo come\u00e7ar, n\u00e3o o fazia tanta vez porque tinha a casa para arranjar ou as comidas para fazer. E quando o quis abra\u00e7ar, naqueles momentos, n\u00e3o podia pegar nele ao colo.<\/p>\n<p>Foi um choque muito grande para as pessoas. A minha m\u00e3e e a minha irm\u00e3 n\u00e3o eram de falar no assunto, mas eu via-o no sil\u00eancio e sabia que choravam depois. O meu filho quando foi ver-me \u00a0&#8211; porque eu queria v\u00ea-lo &#8211; n\u00e3o subiu ao piso onde eu estava internada, convencido pela enfermeira de que havia muitos bicharocos l\u00e1 em cima. Ent\u00e3o, desci. Quando ele me viu, foi na corrida para me abra\u00e7ar, mas, com o robe e os dois drenes, nem podia peg\u00e1-lo ao colo. Foi bastante dif\u00edcil. Uma das estrat\u00e9gias que arranjei foi trabalhar a mente. Tive uns tempos em que n\u00e3o me via ao espelho, fiquei mal com o espelho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Um momento dif\u00edcil do cancro \u00e9 a queda do cabelo. Cai de hoje para amanh\u00e3.<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Psicologicamente, como foi gerindo a situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nTrabalhei a mente. E tentei trabalhar sempre, n\u00e3o fiquei em casa. Uma das solu\u00e7\u00f5es que encontrei foi fazer renda xilena na Casa de Trabalho do Nordeste. Enquanto ali estava, tinha a cabe\u00e7a ocupada.<\/p>\n<p>Ainda estava com os pontos, e disse ao m\u00e9dico que tinha de ir trabalhar, caso contr\u00e1rio entraria em paranoia. Quando me deu alta, eu j\u00e1 estava a trabalhar h\u00e1 muito tempo. Enquanto estava aqui na escola com as crian\u00e7as estava bem.<br \/>\nUm momento dif\u00edcil do cancro \u00e9 a queda do cabelo. Cai de hoje para amanh\u00e3.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Do diagn\u00f3stico \u00e0 cura, a que tratamentos teve de ser submetida e por quanto tempo?<\/strong><br \/>\nQuando vim da opera\u00e7\u00e3o, tive de vir para a Oncologia. Pertenci \u00e0 fam\u00edlia da Oncologia e, depois, na Oncologia, o m\u00e9dico disse-me que tinha uma infe\u00e7\u00e3o, sobre a qual n\u00e3o havia tempo a perder, uma vez que o tumor era abrasivo e diferente. Dada a infe\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderia fazer o tratamento e, assim, mandou-me para casa. Vim para casa, fiz o tratamento da infe\u00e7\u00e3o e ent\u00e3o voltei para baixo. Tive cinco tratamentos de quimioterapia para fazer &#8211; que n\u00e3o desejo a ningu\u00e9m, nem aos animais, \u00e9 horroroso &#8211; mas fiz s\u00f3 quatro.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as sess\u00f5es de quimioterapia, fui ao continente fazer a radioterapia. Fiquei com um tratamento pendente, caso precisasse de o levar. No continente, estive 5 semanas, sendo um tratamento que n\u00e3o custa nada. Estive numa cl\u00ednica, que eu chamava de hotel cinco estrelas. Os profissionais de sa\u00fade eram muito jovens, t\u00e3o amigos e t\u00e3o preparados para lidar com este tipo de pessoas, porque nos tornamos pessoas muito fr\u00e1geis, somos como porcelana. Quando as pessoas nos dizem \u201ccoitada\u201d, \u00e9 horroroso, o coitado nisto \u00e9 p\u00e9ssimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Ficou com medo de que os tratamentos n\u00e3o resultassem?<\/strong><br \/>\nComo eu via a correria dos m\u00e9dicos, a primeira rea\u00e7\u00e3o que tive foi essa, medo de que n\u00e3o resultasse. Al\u00e9m disso, na primeira consulta, a enfermeira chama-nos e informa-nos do que nos vai acontecer: a queda do cabelo, os v\u00f3mitos e outros sintomas. Informou-me de que o tratamento feito com capacete de gelo provavelmente evitaria a queda do cabelo, e eu, claro, optei pelo capacete. Colocou-me o capacete de gelo na cabe\u00e7a &#8211; eu tinha de estar quatro horas com aquilo na cabe\u00e7a \u2013 e aos 10 minutos n\u00e3o aguentei o frio (era muito frio). Pensei e disse \u00e0 enfermeira, que mais cabelo menos cabelo n\u00e3o importava.<\/p>\n<p>Eu via as m\u00e1quinas a apitar e l\u00e1 iam as enfermeiras a correr, tendo por vezes de chamar o m\u00e9dico. Tinha medo de ouvir o apito da m\u00e1quina, por ser sinal de que n\u00e3o estava a levar o tratamento (a quimioterapia) e se n\u00e3o o estivesse a levar n\u00e3o sobrevivia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Atrevo-me a solicitar que a equipa da Consulta de Enfermagem \u00e0 Pessoa com Cancro da Mama lute pela altera\u00e7\u00e3o de um sistema redutor ao n\u00edvel do acesso \u00e0 cirurgia de reconstru\u00e7\u00e3o da mama.<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que avalia\u00e7\u00e3o fez na altura do pessoal m\u00e9dico e dos hospitais que a assistiram?<\/strong><br \/>\nEm Ponta Delgada, todas as vezes que eu sa\u00eda das consultas de oncologia, ia ver a enfermeira chefe (Ol\u00edvia) que al\u00e9m de enfermeira foi irm\u00e3, foi amiga, foi tudo.<br \/>\nDeixava-me passear naqueles corredores. Nos meus doze dias, fiz as minhas caminhadas: ia para baixo, ia \u00e0 capela e voltava para cima. Ela, \u00e0s vezes, dizia-me \u201cvai ali ao h\u00edper\u2026\u201d. E eu l\u00e1 lhe respondia \u201c\u00f3 senhora, como \u00e9 que eu posso ir ao h\u00edper! Eu n\u00e3o posso.\u201d<\/p>\n<p>Dei-lhe sempre os meus louvores. Como n\u00e3o tinha escola, n\u00e3o conseguia manifestar-me atrav\u00e9s dos jornais, mas manifestava-me atrav\u00e9s do que sentia por elas. Mesmo a enfermeira que me assistiu &#8211; porque ela largava de comer para me fazer o penso &#8211; ainda hoje \u00e9 uma das pessoas que me abra\u00e7a e me beija, quando nos encontramos, com aquela amizade.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco tempo, fiz um voto de louvor \u00e0s enfermeiras da Consulta de Enfermagem \u00e0 Pessoa com Cancro da Mama, pois quando sou atendida nas consultas sinto, por parte daquelas t\u00e9cnicas de sa\u00fade, uma extrema disponibilidade e aten\u00e7\u00e3o para me auxiliar neste doloroso processo, aceitando, apoiando e valorizando todas as manifesta\u00e7\u00f5es emocionais e desenvolvendo todos os esfor\u00e7os para conseguirem disponibilizar pr\u00f3teses mam\u00e1rias externas, soutiens adequados a estas pr\u00f3teses, ou outros materiais e apoios necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ficamos muito sens\u00edveis a tudo ali, e elas \u00e9 que s\u00e3o o nosso bra\u00e7o direito para nos dar for\u00e7a. Falava com a enfermeira Ana, esta semana, e ela dizia-me quantas pessoas saem dali a dizer vamos fazer isto e aquilo na vida, mas depois chegam a casa e a fam\u00edlia, os filhos e os maridos n\u00e3o ajudam. Assim como, aquelas pessoas que deixaram sair com vida, e que depois encontram mortas.<\/p>\n<p>Uma pessoa deixa de se importar com a imagem, n\u00e3o se importa consigo. Ningu\u00e9m imagina a falta de uma mama, psicologicamente \u00e9 a parte mais feminina da mulher, falo por mim.<\/p>\n<p>Atrevo-me a solicitar que, em prol do nosso bem-estar, para doentes que ainda n\u00e3o fizeram reconstitui\u00e7\u00e3o mam\u00e1ria, que a equipa da Consulta de Enfermagem \u00e0 Pessoa com Cancro da Mama lute pela altera\u00e7\u00e3o de um sistema redutor ao n\u00edvel do acesso \u00e0 cirurgia de reconstru\u00e7\u00e3o da mama e pelo direito \u00e0 op\u00e7\u00e3o de escolha para estas reconstitui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o nos limitando \u00e0s op\u00e7\u00f5es da realidade insular, mas sim abrindo-nos um leque de op\u00e7\u00f5es mais amplo no continente portugu\u00eas, sem querer com este pedido ferir suscetibilidades, pois reafirmo que o HDES tem excelentes profissionais, nas mais diversas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7o tamb\u00e9m a ajuda da equipa do Dr. Rui San Bento; das secret\u00e1rias Gra\u00e7a e Mena; da enfermeira Belina. Agrade\u00e7o e reconhe\u00e7o, igualmente, todo o apoio e compreens\u00e3o do conselho executivo de ent\u00e3o da escola, bem como do atual, que me t\u00eam atribu\u00eddo servi\u00e7os moderados e de acordo com a minha condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso deixar de reconhecer o apoio permanente e aconselhamento da minha m\u00e9dica de fam\u00edlia, Dr.\u00aa Gabriela Amaral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>\u00c0s vezes n\u00e3o consigo ver-me com uma blusa e vou trocar por outra mais larga, sinto-me desconfort\u00e1vel comigo.<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Passar por uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o\u00a0dif\u00edcil trouxe algumas altera\u00e7\u00f5es na sua forma de viver?<\/strong><br \/>\nMuitas. Falo muito no exemplo da dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 casa. Hoje, eu fecho a minha casa com camas por fazer e a loi\u00e7a por lavar. \u00c9-me indiferente. Acho mais importante sair e dar um passeio ou encontrar-me com algu\u00e9m do que propriamente estar a cuidar da casa. Outra das coisas, s\u00e3o os esfor\u00e7os f\u00edsicos. Fui preparando a mente para o facto de n\u00e3o poder pegar em coisas pesadas. Passei a viver mais a parte espiritual do que propriamente a parte material.<\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o que me preocupa bastante \u00e9 a pr\u00f3pria Liga . Eu pr\u00f3pria j\u00e1 tive sess\u00f5es com a Liga. Transmitem a ideia de que se a pessoa chegou ao quinto ano venceu, n\u00e3o morre. \u00c9 Mentira. N\u00f3s n\u00e3o morremos, o que morre \u00e9 a mente. O apoio psicol\u00f3gico para encarar o futuro \u00e9 o que conta mais.<br \/>\nLamento que a Liga Portuguesa Contra o Cancro dos A\u00e7ores (que apresenta como sendo um dos seus principais objetivos dar continuidade ao Movimento \u201cVencer e Viver\u201d, que consiste no apoio a doentes oncol\u00f3gicos com cancro de mama) seja uma institui\u00e7\u00e3o esquiva e pouco atenta aos pedidos e anseios de pessoas que vencerem o cancro da mama e que n\u00e3o nos apoie devidamente.<\/p>\n<p>Eu estou com esta doen\u00e7a e fiquei sens\u00edvel. Qualquer coisa me magoa e mexe com a minha autoestima. \u00c0s vezes n\u00e3o consigo ver-me com uma blusa e vou trocar por outra mais larga, sinto-me desconfort\u00e1vel comigo.<\/p>\n<p>Uma das situa\u00e7\u00f5es que me chamou \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, foi um certo dia ir ao Aquaparque de Vila Franca do Campo &#8211; n\u00e3o tinha um soutien porque s\u00e3o bastante caros, custa \u00e0 volta de 120\/130 euros \u2013 e fui de t-shirt e um cal\u00e7\u00e3o. Tal foi o meu espanto quando o rapaz que trabalhava no recinto se dirige a mim, dizendo que eu n\u00e3o podia estar com aquela roupa ali. E respondi-lhe \u201csabes que eu n\u00e3o tenho uma mama\u2026?\u201d Nesse momento, o rapaz ficou um pouco est\u00e1tico. Acrescentei que n\u00e3o tinha uma mama e que n\u00e3o tinha fato de banho para ir ali, e que quando entrei no recinto n\u00e3o me tinha sido dito que quem n\u00e3o tinha uma mama n\u00e3o podia entrar. Acabei o dia e fui-me embora, mas, passando-se o mesmo com uma pessoa que n\u00e3o funciona como eu tento funcionar, \u00e9 a morte do artista. Acho que a Liga deveria trabalhar mais a parte psicol\u00f3gica das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Tem preocupa\u00e7\u00f5es especiais de combate ao reaparecimento da doen\u00e7a?<\/strong><br \/>\nUma das coisas que fiz passou por ter muito cuidado com a alimenta\u00e7\u00e3o. Passei a comer mais vegetais e legumes. Das carnes, apenas como frango, porque dizem que as outras carnes s\u00e3o mais prejudicais para a sa\u00fade. Bebo bastantes l\u00edquidos e fa\u00e7o muitas caminhadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Que mensagem deixa \u00e0s pessoas que neste momento lidam com a doen\u00e7a?<\/strong><br \/>\nQue v\u00e3o em frente, que somos capazes e que quem n\u00e3o o consegue que pe\u00e7a ajuda. N\u00e3o se fechem em si pr\u00f3prias. Uma das coisas que eu tamb\u00e9m deixei foram os antidepressivos. Pensei: se eu venci isto sem comprimidos, vou vencer agora sem eles.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o encontramos apoio na Liga vamos ao hospital. Quando n\u00e3o encontramos no hospital vamos \u00e0s assistentes sociais, que s\u00e3o preparadas para isso. Devemos tamb\u00e9m encontrar outras pessoas amigas. Se eu sei de algu\u00e9m que fez esta opera\u00e7\u00e3o, tento ligar para essa pessoa e se precisar de ajuda estou aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>E para todos n\u00f3s \u2013 porque ningu\u00e9m est\u00e1 livre de passar pelo mesmo \u2013 tem alguma mensagem a deixar?<\/strong><br \/>\nUma das mensagens que circulam e que eu ou\u00e7o, passa por evitar os v\u00edcios, como o tabaco e o \u00e1lcool. Portanto, parte dos cancros tamb\u00e9m \u00e9 isso. Por outro lado, que se fa\u00e7a mais atividade f\u00edsica, que deixem as suas casas e que saiam. As casas s\u00e3o s\u00f3 para dormirmos, saiam.<\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem muito a ver com a doen\u00e7a. Do mesmo modo, devemos prestar aten\u00e7\u00e3o regular ao nosso corpo, porque \u00e0s vezes s\u00e3o pequenas coisas a que n\u00e3o ligamos, e com as quais n\u00e3o estamos a contar, mas que aparecem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ENTREVISTA Paula Duarte Doente oncol\u00f3gica &nbsp; Em 2004 foi detetado um cancro da mama a Paula Duarte. A doen\u00e7a apanhou-a de surpresa \u2013 como acontece a quase todas as pessoas que passaram por esta situa\u00e7\u00e3o \u2013 e manifestou-se num estado j\u00e1 muito grave, tratando-se de um tumor abrasivo al\u00e9m de pouco comum. 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