Apontamento Histórico

Origem do topónimo

O Nordeste, segundo diversos historiadores, deve o seu topónimo provavelmente por ficar situado no ponto cardeal que tem o seu nome.

Gaspar Frutuoso refere que o Nordeste é «assim chamado por ter rosto a este vento, de modo que o seu contrário vento desta ponta é o Nordeste, junto ao morro alto que de vinte a trinta léguas do mar, primeiro se vê dos navegantes que vêm do oriente».

O Desembarque das Tropas Liberais na Achadinha

Em 1831, quando D. Miguel governava o país, a Achadinha foi palco de um acontecimento que dificilmente será ali esquecido – o desembarque, no seu calhau, das tropas liberais, que, vindas da Terceira e dirigidas pelo Conde de Vila Flor, se haviam revoltado contra o governo absolutista de D. Miguel.

Com a vitória da batalha absolutista da Ladeira Velha, os liberais conseguem a Ilha de São Miguel para a sua causa. No séc. XIX a Povoação junta-se ao Nordeste.

Foi também no séc. XIX, precisamente em 1820, que o Nordeste viu a sua área duplicada com a inclusão das localidades compreendidas entre os Fenais da Ajuda e as Lombas da Povoação. Mais tarde, em 1839, o Nordeste perdeu a Povoação, Faial, Água Retorta, Achadinha e Fenais da Ajuda que passam a constituir, juntamente com as Furnas, o novo concelho da Povoação.

O Monte de Piedade

Entra outros factos interessantes sucedidos no concelho, há ainda a salientar que existiu ali, até aos primeiros anos do séc. XX, uma curiosa instituição de assistência aos agricultores pobres, denominada Monte da Piedade. O seu fundador e o ano, não se conhecem, embora já apareça referenciada no séc. XVII.

Funcionava como uma espécie de banco de trigo, onde as pessoas carenciadas iam levantá-lo para as sementeiras ou para a alimentação, pagando na altura das colheitas um cabazzinho por alqueire de cereal e uma moeda de três réis para as contas dos resíduos. Era assim no séc. XVII, mas ao longo do tempo houve algumas alterações e descuido que fazem desaparecer esta instituição no início do séc. XX.

A Eleição de um futuro Primeiro-ministro

O Nordeste teve ainda a honra (e a sorte) de contribuir largamente para a eleição em 1878, de um homem na altura ignorado, mas que havia de ser Primeiro-ministro – Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro. Graças à colaboração deste político e à insistência do seu particular amigo, o grande António Alves de Oliveira (que possui uma estátua na Praça da República), o Nordeste vai arranjar-se e embelezar-se. São desta época a Ponte Sete Arcos da Vila, o Farol do Arnel, o Edifício dos Paços do Concelho e outros melhoramentos.

Do séc. XIX ao séc. XX

O grande salto que o Concelho dera no seu desenvolvimento em finais do séc. XIX vai de novo abrandar até meados do séc. XX. Nessa época são criados os Serviços Florestais que vão repovoar e aproveitar uma vasta área que hoje é uma riqueza pública do Concelho.

Ao longo da década de 60 o Concelho começa a recuperar de novo a sua vitalidade, quando são implementadas obras municipais de grande interesse como as instalações balneares da Foz da Ribeira.

Com a Autonomia, o Nordeste ganha um novo surto que permite a beneficiação da rede viária em todas as localidades, assim como a construção de diversos equipamentos, nomeadamente: Campo de Jogos da Vila, Escola Preparatória de Nordeste (agora básica e secundária), Edifício dos Bombeiros, Centro de Saúde e a conclusão do abastecimento de energia eléctrica e de água. Obra de grande vulto foi ainda o saneamento do coração da Vila com a cobertura da grota dos Pelames.

Nos últimos anos, outras infra-estruturas mudaram o rosto da sede do concelho, com destaque para a criação da Variante ao Viaduto (agora prolongada até ao parque industrial), da Estalagem dos Clérigos, do Lar de Idosos, da Esquadra da Polícia de Segurança Pública e de outros empreendimentos que vieram contribuir para a qualidade de vida da população.