
A Câmara Municipal do Nordeste lançou um desafio à Escola Profissional de Nordeste para assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, iniciativa que, em 2026, se centra na resposta de emergência em contextos de conflitos e desastres tendo em consideração o atual contexto de recuperação do país após uma sucessão de fenómenos meteorológicos extremos.
O município foi à escola, a 13 de abril, desenvolver uma sessão com as turmas dos cursos de desporto e hotelaria que abordou o tema “Do território ao património vivo: o PDM como instrumento de ação climática e ferramenta de proteção em caso de catástrofe“.
A iniciativa desafiou-os a pensar, num contexto global de alterações climáticas, em medidas concretas que o município poderá adotar para proteger o património arquitetónico e cultural do concelho.
No final da semana, os formandos vieram aos Paços do Concelho, no dia 17 de abril, para apresentar as suas propostas para proteção de património local que os próprios selecionaram.
O vice-presidente da Câmara do Nordeste esteve presente na apresentação, assim como a vereadora de Ação Social, tendo considerando as exposições coerentes e sensíveis face ao que foi proposto, especificamente, a proteção do património num cenário climático cada vez mais instável, demonstrando também conhecimento do património mais evidente do concelho.
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Num total de cinco grupos, os alunos dos dois cursos foram desafiados a identificar uma zona do concelho que considerassem ser de risco e onde encontrassem um exemplo de património a proteger; deveriam analisar o valor material e imaterial do imóvel e ainda investigar sobre a existência de medidas de proteção já existentes; por fim, pedia-se que propusessem medidas concretas para proteger o local escolhido e que indicassem o contributo dessas medidas para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Numa semana, os formandos conseguiram demonstrar, através do trabalho apresentado, que conhecem o património do concelho, que identificam o seu valor cultural para a comunidade, que medidas preventivas de preservação devem ser tomadas e a sua implicação direta ao nível da sustentabilidade.
Um dos grupos escolheu as casas antigas Fajã do Araújo como património histórico e arquitetónico de interesse pelas características tradicionais de algumas habitações que ainda ali persistem, construídas em pedra vulcânica com técnicas tradicionais adequadas ao clima da ilha e que no passado se destinaram a dar apoio à produção agrícola. O trilho antigo, único acesso (exclusivamente pedonal) até há pouco tempo, ajudou a preservar as características do lugar. Como situações de risco foram identificadas a possibilidade de ocorrência de movimentos de vertente na falésia e o risco de galgamento do mar. Como medidas de proteção, indicaram a eventual possibilidade de proteção costeira.
Outro grupo escolheu a Boca da Ribeira (Foz da Ribeira do Guilherme) como local de interesse a preservar, por ser uma das poucas piscinas naturais da ilha e por atrair turismo ao concelho. O risco de derrocadas, o perigoso acesso, o risco de cheias provocadas pela ribeira e a forte agitação marítima foram riscos elencados pelos formandos. Como proposta de proteção, apresentaram três medidas, designadamente, a opção por vegetação nativa na encosta para ajudar a reduzir a ocorrência de derrocadas; a execução de um muro de suporte que evitasse o risco de galgamento das águas; e a melhoria do caminho de acesso. Comparativamente com a praia do Lombo Gordo, os formandos consideraram que Boca da Ribeira oferece melhores condições de utilização, pois a sazonalidade do areal da praia e a dificuldade do acesso são pontos negativos difíceis de ultrapassar.
O terceiro grupo escolheu o Parque da Ribeira dos Caldeirões como local de valor patrimonial pelos moinhos de água e pelo alto valor paisagístico e patrimonial. O risco de cheias rápidas provocadas por precipitação intensa, a vulnerabilidade dos materiais de construção dos moinhos (em alvenaria de basalto sem resistência sísmica) foram alguns dos riscos elencados. Uma das medidas de proteção propostas consiste em melhorar o comportamento antissísmico dos moinhos.
Outro grupo selecionou a Ermida de Nossa Senhora do Pranto e o Pocinho, populares pelas romarias, por serem elementos patrimoniais reconhecidos pelo município e que existem há mais de 500 anos. Apontaram como principais riscos a vulnerabilidade das construções e da envolvente ao apontar os escoamentos das águas dos terrenos, a humidade, as fissuras e o desgaste dos materiais. Propõem proteger a ermida e a envolvente através de um plano de proteção criado especificamente para este local e que contemple, por exemplo, a melhoria dos sistemas de drenagem de águas. Também chamaram a atenção para o risco de desgaste do edifício, que carece de manutenção periódica devido à exposição aos elementos atmosféricos. Relativamente ao Pocinho, foram propostas medidas destinadas a impedir que o galgamento da ribeira ali próxima venha a afetar a construção.
O último grupo selecionou o Farol do Arnel, por ser o farol mais antigo dos Açores (1876), por ser uma peça de património único e também pela sua arquitetura e tecnologia usada à época. Consideraram que, pela sua localização, está sujeito a sismos, à ocorrência de derrocadas e ao desgaste das encostas da falésia, propondo como medidas de proteção a existência de um plano de prevenção de riscos para a zona, a contenção da falésia através da colocação de redes e a aplicação de um sistema de alerta climático.