
Chegou o dia de celebrarmos o Nordeste e suas gentes! Este dia merece ser assinalado e festejado por todos os Nordestenses.
É com muita honra e elevado sentido de responsabilidade que represento esta Terra, com já 500 Anos de História, e este povo honesto e trabalhador, de fé, aventureiro e de coragem inigualável, a que um dia chamaram de Nordestense.
Decorria o ano da Graça de Deus de 1514, mês de julho, dia 18, quando el-rei D. Manuel I aprovou a Carta de Foral, elevando o lugar de Nordeste a Vila.
Hoje, completamos 500 Anos de elevação do Nordeste a Concelho. Foi, portanto, há precisamente cinco séculos que se deu «a elevação a Villa do logar do Nordeste», passando, assim, a constituir-se aquele que viria a ser o quarto Concelho da Ilha de São Miguel, isento já da dependência administrativa de Vila Franca do Campo. Com efeito, a Carta de Foral desanexava o Nordeste da jurisdição daquela Vila, a par de delimitar os limites do novo Concelho.

Esta data assinalou o início de cinco séculos de História, constituindo um marco decisivo para o futuro destas terras e de suas gentes que formavam a então Lomba de Salvador Afonso.
Dele falando – do nosso Nordeste – disse Gaspar Frutuoso, em Saudades da Terra, que «começa a compridão desta ilha da ponta do porto da vila do Nordeste, assim chamada por ter o rosto a este vento», acrescentando tratar-se de «lugar não mui chão, mas de boas casas e devotas igrejas, lugar alegre de frescos pomares, com claras ribeiras».
Abalados, ao longo destes cinco séculos, por várias adversidades – catástrofes naturais, fome, doenças, isolamento – os nordestenses nunca se deram por vencidos e souberam sempre lutar e enfrentar as dificuldades, munidos de uma coragem inabalável e de uma incrível capacidade de trabalho, postas ao serviço de uma incessante busca de uma melhor qualidade de vida.
Debruçando-nos, por exemplo, sobre o problema do isolamento (não nos esqueçamos de que o Nordeste era chamada a «décima ilha»), podemos dizer, com segurança, que, se durante vários séculos a melhor acessibilidade ao Concelho era feita por mar (tendo depois passado a contar, no século XIX, com infraestruturas que possibilitavam o acesso terrestre), nos dias que correm, e graças às recentes intervenções feitas ao nível da acessibilidade, chegar ao Nordeste é tarefa tão bela quanto facilitada.
Não será, pois, desajustado afirmarmos que quem aqui vive gosta de viver no Nordeste, acredita no seu Concelho e dele se orgulha!
O progresso foi sempre conquistado a pulso, resultado do esforço coletivo, do trabalho árduo das várias gerações de nordestenses, da nossa capacidade e determinação para negociar e reivindicar junto dos poderes políticos regionais e nacionais a satisfação das nossas necessidades e justas aspirações, como povo.
Estamos todos de parabéns, nesta bonita e significativa data, que evoca um momento singular de um Concelho tão apreciado pelas suas belezas únicas, pela sua cultura e pela afabilidade das suas gentes.
As responsabilidades concelhias passaram, muito recentemente, para uma nova geração de nordestenses, convocados para servir a nossa terra, de forma a promover o progresso, o desenvolvimento do Nordeste e o bem-estar de todos nós.
Estamos conscientes dos desafios que temos à nossa frente. Sabemos que é preciso fazer muito mais, embora, com muitos menos recursos.
Sabemos que o maior desafio deste executivo é o combate ao flagelo que assola o País e a Europa, o desemprego.
Relembro algumas das afirmações proferidas, no dia da tomada de posse deste novo executivo:
Criar mais emprego no concelho.
Lamentavelmente, os tempos não são os mais propícios para a realização deste objetivo. No entanto, importa referir que, neste momento, temos colocado a trabalhar, através dos diferentes programas do Governo Regional, mais 86 Nordestenses, desde os programas PROSA, RECUPERAR, ESTAGIAR L e T. Mesmo com a conjuntura financeira em que se encontra a autarquia, estas parcerias demonstram um esforço enorme para ultrapassar a situação social que muitos de nós ainda vivem no Concelho.
Foi, igualmente, dito no discurso de tomada de posse que iríamos apoiar as famílias nordestenses, como forma de responder às consequências sociais da situação económica que atravessamos.
Neste momento está em vigor a tarifa social de água e resíduos sólidos, para apoio dos mais carenciados e famílias numerosas.
Brevemente termina o período de discussão pública da proposta apresentada e aprovada por unanimidade do novo regulamento de apoios à habitação, com critérios mais equitativos e criteriosos, no modo como pretendemos apoiar os nordestenses mais necessitados.
Recordando ainda o já mencionado discurso, foi dito que pretendemos aproximar cada vez mais as populações das decisões políticas, permitindo, desta feita, que os nordestenses possam dar o seu contributo sobre os investimentos a efetuar no Concelho. Deste modo, aprovamos, muito recentemente, pela primeira vez no Nordeste, o Orçamento Participativo.
Afirmámos, também, na mesma ocasião, que pretendíamos aumentar as verbas do Protocolo Anual entre a Câmara e as Juntas de Freguesia do Concelho, de modo progressivo, ao longo destes 4 anos.
Conseguimos retroceder aquilo que tem sido rotina na autarquia nos últimos anos, ou seja, cortes nas verbas a transferir, conseguindo manter, assim, os mesmos valores do ano anterior, mesmo quando era previsto, de acordo com o Plano de Ajustamento Financeiro, aprovado no passado mês de março de 2013, um corte na totalidade das verbas a transferir para as Juntas de Freguesia do Concelho.
È com grande satisfação que fazemos saber que conseguimos reduzir os prazos médios de pagamento de divida a fornecedores, de acordo com a Direção Geral das Autarquias Locais, passando de 1494 dias no 2º trimestre de 2013 para 299 dias.
O Nordeste precisa de um executivo que dialogue, que ouça todos e que tome decisões de forma eficaz e com critérios bem definidos sobre as verdadeiras prioridades para o Concelho e suas gentes.
Cada vez mais, queremos uma autarquia próxima da voz do povo. Desde a tomada de posse deste novo executivo, o gabinete da presidência recebeu cerca de 600 nordestenses, que nos foram dando conta das suas preocupações sociais.
Uma vez mais, evocamos o discurso do dia da tomada de posse, quando se disse que, mesmo sabendo das nossas dificuldades económicas, jamais descuremos a preocupação social das nossas populações.
Sobre este assunto, fazemos saber que estamos finalizando, com sucesso, o novo cartão de apoio social ao idoso, «Dar vida aos Anos». E aqui deixo publicamente um agradecimento às instituições, empresas e empresários que, de forma generosa, apoiaram as diferentes valências e benefícios deste cartão.
Teremos decisões coroadas de sucesso e algumas soluções que não resultarão da maneira como nós gostaríamos e que podem até não satisfazer alguns nordestenses, mas, com certeza, que vamos agir, colocando sempre o Nordeste acima de tudo.
João de Melo, escritor e filho da Achadinha, dizia sobre estas Celebrações dos 500 Anos, num retrato bastante realista daquilo que era o Nordeste de ontem: «vivi entre uma pobre gente implantada ao cimo das falésias nordestinas, tendo ali erguido casas, ruas e igrejas como fortalezas contra corsários, piratas e outros bichos da terra que porventura aportassem à foz das ribeiras para procederem à aguada de naus e navios que iam e vinham do Oriente.
Conheci as últimas casas de palha da Achadinha. E muitas outras com chão de terra batida, a pedra das paredes à mostra, as arribanas com as reses, os sótãos escuros e as tulhas de milho e feijão. Andei com os pés descalços, como andavam os homens e as outras crianças, e sofri as minhas topadas nas pedras soltas e nos caminhos de cascalho: as unhas dos pés sangravam, destroçadas, mas logo se curavam com paranhos, teias de aranha (nunca soube como nem porquê).»
Assim se fez o Nordeste. Assim se foi criando a identidade de um povo, de uma Gente Feliz com Lágrimas. De um povo que deixou geograficamente a sua terra, mas que a mantém viva no imaginário da saudade. Hoje é, também, dia de recordar o Nordeste da Diáspora. Saúdo aqui todos os nordestenses em nome do representante da Organização dos Nordestenses no Canadá.
Saúdo todos os nordestenses que, por diversos motivos, sentiram necessidade de rumar em direção ao estrangeiro, fosse pelo desemprego fosse pela falta de oportunidades na nossa terra. Saúdo aqueles que partiram em busca de melhores condições de vida e de um futuro melhor para as suas famílias.
Saúdo todos vós que fazem o Nordeste e os Açores no estrangeiro.
É fundamental que os nossos políticos e nordestenses compreendam o valor incontroverso da ligação e partilha com os nossos irmãos que se encontram em outras paragens. Afinal, o Nordeste está em tantos lugares….
Todos temos algo em comum! No Nordeste ou no estrangeiro, todos partilhamos um sentimento em comum… Todos sentimos saudade… Já dizia o poeta Fernando Pessoa: «Saudade, só portugueses/ Conseguem senti-las bem/ Porque têm essa palavra/Para dizer que as têm.».
Estamos plenamente conscientes de que são muitos os desafios que temos pela frente e por essa razão propõe-se uma gestão orçamental rigorosa, mas sempre atenta às preocupações sociais de todos os nordestenses. Foi esse o nosso compromisso. Equilibrar as contas do município, e acreditamos que, com esta árdua tarefa, estamos a dar uma oportunidade de mais qualidade de vida aos Nordestenses e àqueles que nos visitam.
Sabemos da importância de uma gestão rigorosa que nos alivie, o quanto antes, do sufoco fiscal a que os Nordestenses estão sujeitos e que devolva ao Poder Local o pleno poder e capacidade de decisão, que, neste momento, se encontram limitados pelo Plano de Ajustamento Financeiro aprovado no passado mês de março de 2013.
Os novos desafios que os novos tempos nos colocam obrigam a sermos persistentes, a termos espírito aberto para encontrar as melhores soluções que nos garantam dignidade de vida, nunca perdendo aquilo por que muito já se lutou e que de bem foi feito ao longo dos anos.
Passados 500 anos e lançando um olhar sobre os 5 séculos de História daquele que começou por ser um “logar”, podemos afirmar que os objetivos de D. Manuel foram amplamente conseguidos. Os moradores iniciais e as gerações vindouras encarregaram-se de transformar o Nordeste no que ele é hoje, um local agradável, de encanto, de beleza única, onde o mar e a terra se encontram num abraço incomparável, à semelhança do carinho típico dos Nordestenses, da Salga à Pedreira.
Somos um povo que vive o seu Dia. Que lembra os seus. Os que connosco aqui estão. Mas também os que tiveram a necessidade de partir e que se reencontram hoje connosco, ao menos em espírito, ao menos na memória, numa dolorosa saudade persistente e teimosa.
Hoje, aqui, celebramos o ser Nordestense. No Nordeste, nos Açores, na Europa, nas Américas, onde estiver um Nordestense, com a ambição de vencer e a dignidade de permanecer fiel a si próprio. Orgulhosos da caminhada, do que somos e do que conseguimos. Determinados na afirmação da nossa identidade nordestense, esperançosos sempre num futuro melhor, de melhor bem-estar, mais qualidade de vida, mais equidade e mais desenvolvimento, tentando ser dignos dos nossos «maiores» Nordestenses que foram deixando a sua indelével presença, ao longo destes Cinco Séculos de Vida.
Devemos sempre seguir o exemplo dos nossos «melhores». Pessoas individuais e coletivas, ainda entre nós ou que, infelizmente, pela lei da vida, já só marcam presença na nossa memória e nos nossos corações.
São estes que hoje, justamente queremos homenagear. Exemplos de valor, mérito, humildade, generosidade, persistência, competência e espírito cívico. Que honram e orgulham a nossa comunidade nordestense e que, hoje, nos fazem a todos maiores e melhores.
Padre Diniz da Luz, Nordestense que também hoje merece a nossa homenagem. Afirmava que Nordeste «é o nome de uma proeminência singularmente bela, que, no extremo oriental da ilha de São Miguel, recebe todas as manhãs o primeiro beijo do sol arcanjo defensor do arquipélago» e que sussurra aos céus, todas as noites, o seu orgulho em abraçar o seu povo, os Nordestenses.
Há 500 Anos, um dos argumentos utilizados para a então elevação do «logar» a vila de Nordeste eram as fracas acessibilidades. Hoje temos excelentes acessibilidades, graças ao Governo Regional dos Açores, presidido então por Carlos César, que, embora não sendo Nordestense, mostrou ter uma enorme coragem e sensibilidade para com o Nordeste, ficando para sempre na história deste Concelho.
Efetivamente, foi com Carlos César que se concretizou a obra com que muitos sonhavam, mas em que poucos se atreviam a acreditar. As SCUT são, sem dúvida, uma mais-valia para o Nordeste, aproximando o nosso Concelho de forma mais rápida e mais segura dos grandes centros urbanos da Ilha do Arcanjo. Por isso mesmo, é necessário aproveitar ao máximo este bem em prol do Nordeste e dos Nordestenses.
«O Nordeste deixou de ser um icebergue verdejante e florido postado no limite extremo da ilha, para se tornar num lugar igual a qualquer outro em todo o mundo.»
«As cidades deixaram de ser os sítios longínquos e impossíveis do nosso tempo de criança.»
Pelo sumariamente exposto, Carlos César permanecerá na memória das nossas gentes, tal como muitos outros Nordestenses e não Nordestenses ficarão para sempre na História deste Concelho, alguns merecendo a homenagem de anteriores autarcas, como Jorge Nascimento Cabral, Gabriel Drumond Esmeraldo e João Bosco Mota Amaral, três homens não Nordestenses, mas cidadãos honorários desta terra.
Queremos que estes 500 Anos de vida nos inspirem, que todos os nordestenses que viveram e fizeram o Nordeste um lugar melhor para se viver e visitar nos motivem para alcançar os nossos objetivos de um Nordeste melhor.
É imperativo construir Um Novo Rumo, reformar, corrigir, articular e aperfeiçoar, de modo a podermos colocar o nosso concelho no lugar que merece. Um lugar de excelência! Mas tal não poderá implicar a perda ou o esvaziamento substancial daquilo que, penosamente, sucessivas gerações conquistaram como modo de vida que querem transmitir aos seus filhos.
Este momento festivo não nos poderá fazer esquecer que o Nordeste se encontra confrontado com problemas graves que ameaçam o presente e o futuro de todos nós, fruto da crise económica que o país atravessa, mas também de alguns exageros cometidos.
Queremos que esta festividade sirva de reflexão para todos – políticos, empresários, empreendedores e Nordestenses, em geral, – para que juntos consiga, em parceira com o Governo Regional e outras instituições Regionais e nacionais, ultrapassar os novos desafios que se nos colocam, com novas soluções para os vários problemas que afetam o Nordeste de hoje.
O desafio para os próximos anos do nosso Concelho, na senda de se alcançar o desenvolvimento pretendido, depende da forma como nos abrirmos para o mundo, que agora está tão próximo de nós, de fomentarmos a criatividade, a ambição, o espírito de iniciativa, integrando estes atributos na nossa essência Nordestense. È esta a génese do Novo Rumo pretendido para todos nós.
Daniel de Sá, muito recentemente falecido, disse um dia que «o Nordeste não é outra ilha! Mas aqui a ilha é outra!»
De modo a dar vida a esta definição da nossa terra e das nossas gentes, peço a todos aqui presentes e a quem nos esteja a ouvir, a todos os de alma e essência nordestense, que, neste dia de reflexão:
QUE SINTAM E VIVAM A PALAVRA NORDESTE COMO NUNCA!
Um bem-haja,
Feliz aniversário Nordeste e a cada um de nós, Nordestense!
Viva ao Nordeste!
Presidente da Câmara do Nordeste
Carlos Mendonça