Entrevista ao piloto de rally David Paiva
Entrevista David Paiva
Piloto do Nordeste estreia-se no Campeonato de Rally dos Açores com o título de campeão
O ano de 2016 foi o ano das estreias para o piloto de rally do Nordeste David Paiva.
Foi o ano em que se “aventurou” à aquisição da primeira viatura de rally, como aquele em que se estreia no maior campeonato de rallies dos Açores e ainda leva para casa o título de campeão. Foi no ano passado que David Paiva, natural da Vila do Nordeste, adquiriu a sua primeira viatura de rally, com o propósito de se iniciar como piloto no Campeonato Regional de Rally dos Açores 2016.
Entra no campeonato, cumprindo as quatro provas (Rally Lotus, em São Miguel, Rally Santa Maria, Rally Ilha Lilás e Rally Pico), quando inicialmente previa realizar unicamente os dois primeiros rallies.
De prova em prova, os resultados foram surpreendendo o piloto, dando-lhe a hipótese de ser campeão na sua classe, a VSH 2Rodas Motorizes ate 1400 c.c.
E assim foi. Não só completou as restantes provas do campeonato, como acabou por se sagrar campeão na sua classe.
Conquistar o título de campeão logo no primeiro ano de participação no campeonato, em que se estreia como piloto e em que adquire a primeira viatura – surpreendendo-se a si próprio- são naturalmente razões para que o piloto faça um balanço muito bom da época desportiva.
Na passagem pelas quatro provas, três das quais fora de São Miguel, David Paiva sentiu o orgulho de levar o nome do Nordeste a outras ilhas dos Açores, e dedica o título aos patrocinadores do concelho, que o ampararam neste desafio, assim como aos nordestenses em geral.
Levar o nome do Nordeste mais longe, continua a ser um propósito do piloto para o campeonato de 2017, contando com o primeiro ano de experiência e com a ambição de renovar o título conquistado.
Saiba mais sobre o David e o quotidiano de um piloto de rally na entrevista que lhe fizemos.
Quando e como surge este gosto pelo rally?
Comecei a ganhar gosto ao sete anos, quando comecei a ir ver o Rally Açores aqui na Tronqueira. É aí que começa a minha “paixão” por este desporto.
A sua família apoiou-o neste desafio?
Sim. A família é um dos apoios fundamentais que tenho. É com este apoio que me sinto motivado para cada prova em que participo. A minha esposa e os meus pais têm sido um grande ombro, e acompanham todas provas.
Começou a praticar com que carro e onde treinava?
Mal tive a carta de condução, tive logo uma grande vontade de me iniciar no rally. Comecei com umas brincadeiras, com um carro velho, na Tronqueira, até conseguir um carro de rally barato. Comecei por fazer rally pirata, diga-se, e desde aí com bons resultados, além de umas boas pancadas pela Tronqueira. Esperava pela noite – altura em que havia muito menos trânsito e em que não incomodava os lavradores – e lá ia treinar.
Antes da sua estreia no Campeonato Regional de Rally dos Açores (em 2016) que experiência tinha?
De 2011 até 2015, fui navegador, ao lado do piloto Ruben Santos. Foi um ensaio muito bom, porque aprendi muito ao lado de um piloto com experiência e, desta forma, fui conhecendo os rallies e os troços. A prática de navegador ajuda muito a iniciar o rally.
Que requisitos são necessários para integrar o Campeonato Regional de Rally dos Açores?
O fundamental é ter um bom orçamento financeiro. Infelizmente, os rallies são um desporto muito caro devido aos desgastes da viatura, às deslocações, estadias e outras despesas.
A preparação física é também muito importante neste desporto, pela concentração que nos é exigida e pelo calor a que estamos sujeitos. Todavia, o principal requisito é mesmo ter um bom patrocinador para apoiar nos custos.
“Com o esforço de todas as entidades e empresas aqui do Nordeste, foi possível conseguir o mínimo de apoios para realizar o meu sonho.”
Foi difícil conseguir patrocinadores para poder ingressar no Campeonato Regional?
Sim. Infelizmente foi muito difícil encontrar patrocínios, mas, com o esforço de todas as entidades e empresas aqui do Nordeste, foi possível conseguir o mínimo de apoios para realizar o meu sonho.
Que custos, aproximadamente, pode ter a participação num campeonato destes?
Os custos são elevados. Como já referi, este desporto é muito caro. Estão envolvidas muitas despesas, desde o material para o carro, os pneus, a gasolina e a deslocação da equipa e da viatura até às outras ilhas, sem contar com algum contratempo mecânico do carro que faça com que os custos sejam ainda mais elevados.
“Fomos campeões por mérito nosso e aprendemos a lição de que nunca devemos desistir apesar dos contratempos.”
Que rally o marcou mais na época de 2016?
Sem dúvida nenhuma, foi o último rally do ano. Fomos para a ilha do Pico separados por três pontos do nosso adversário. Quem ficasse à frente era campeão da classe. Mas, dias antes de nos deslocarmos ao Pico, foi detetado um problema no motor do carro, que reduziu a sua potência. Mesmo assim, acreditei sempre que conseguiríamos fazer a prova e lá fomos.
Sabíamos que era uma tarefa difícil ganhar, mas entramos no rally a dar tudo o que sabia e aproveitando ao máximo a estrada, no sentido de ganhar o máximo tempo possível, tendo resultado numa boa estratégia.
Fomos campeões por mérito nosso e aprendemos a lição de que nunca devemos desistir apesar dos contratempos. Esta deslocação ao Pico ficará marcada para sempre.
Que troço lhe deu ou dá maior gozo fazer? Há algum de que goste menos?
O troço de que mais gosto é o do Picos-Forno, do Rally Santa Maria. É um troço fantástico, que nos dá uma enorme adrenalina, no qual ando muito bem e o resultado costuma ser bom. Neste momento, não há nenhum troço de que goste menos.
Os resultados alcançados parecem ter excedido os seus objetivos. Contava com provas mais difíceis?
Todas as provas foram difíceis para mim. No primeiro ano, é conhecer o carro e aprender tudo, ou seja, começar do zero. Fomos para cada prova como sendo um desafio e sem saber o que nos esperava. Felizmente, os resultados foram bons.
Que perspetivas tem para este ano de 2017?
Espero continuar no ativo e gostava muito de evoluir neste desporto.
Gostava de continuar a levar nome do concelho do Nordeste o mais longe possível e de mostrar que há alguém que faz alguma coisa pela sua terra. Mas gostava de em 2017, pelo menos, defender o título conquistado e poder ter material mais novo para o carro, e assim poder avançar na classificação geral. Para já, estamos em conversações com alguns patrocinadores com o objetivo de estarmos de novo presentes no Campeonato Regional dos Açores 2017.
Sente que a sua participação no campeonato divulga o concelho do Nordeste?
Sem dúvida. Acho que é um bom retorno se trabalhamos nesse sentido, levando o Nordeste a outros locais dos Açores. O nosso objetivo não é só correr, mas sim dar a conhecer a minha terra e, se possível, ser cartão-de-visita para pessoas de outras ilhas.
Passou por mais três ilhas além de São Miguel. Alguma destas ilhas, para si e para outros pilotos, tem um interesse especial para este desporto em concreto?
Em todas as ilhas que visitei, as pessoas gostam muito de rallies, e ir lá correr para estas pessoas é fantástico. Fomos sempre bem recebidos e sentimo-nos em casa. Por isso, espero poder correr sempre nestas ilhas onde decorre o campeonato regional.
