Data de Publicação: 6 Fevereiro, 2017

Câmara recebe comandante da ZMA

Câmara do Nordeste recebe comandante da Zona Marítima dos Açores
A Câmara Municipal do Nordeste recebeu, no dia 2 de fevereiro, o comandante da Zona Marítima dos Açores, comodoro Valentim José Pires Antunes Rodrigues, para apresentação de cumprimentos, na sequência da sua tomada de posse em novembro último.

Recebido pelo vice-presidente da câmara municipal, Milton Mendonça, a visita institucional do responsável da Zona Marítima dos Açores permitiu abordar assuntos como a cooperação entre a Marinha e o concelho; a possibilidade de realização de algumas exposições itinerantes organizadas pela Marinha; a sensibilização dos alunos do ensino secundário, concretamente do 11º e 12º ano, para a oferta profissional da Marinha, e ainda sobre a atual situação económica e social do concelho do Nordeste.

O Comando da Zona Marítima dos Açores é responsável, entre outras funções, por assegurar o funcionamento do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada e pela fiscalização dos espaços marítimos, sob soberania ou jurisdição nacional, na Região Autónoma dos Açores.

Data de Publicação: 6 Fevereiro, 2017

Idosos interessados na Era Digital

Idosos do Nordeste interessados na Era Digital

 
A Câmara Municipal do Nordeste, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, levou a cabo, entre 2014 e 2016, o Projeto Infogeração on-line, destinado aos utentes dos Centros de Convívio e dos centros de Dia da Misericórdia, tendo como objetivo a inclusão dos idosos na Sociedade da Informação e do Conhecimento. Dos 175 utentes inscritos nos Centros de Convívio e de Dia, 98 participaram no projeto.

O programa foi dividido em três fases, sendo a primeira fase de Introdução aos Computadores e ao Sistema Operativo Windows, a segunda, sobre o Processador de Texto em Microsoft Word, seguidas de algumas noções sobre a Utilização da Internet.

Ao longo da formação, os idosos mostraram entusiasmo e vontade de aumentar o conhecimento na área das tecnologias, tendo alguns dos utentes adquirido um computador ou tablet após receberem algumas noções básicas de introdução à informática.

Para o presidente da Câmara do Nordeste, “este foi um modelo utilizado no sentido de aproximar a nossa população mais idosa da realidade digital dos tempos de hoje, verificando-se, da parte dos nossos idosos, um interesse enorme neste projeto, a que queremos dar continuidade com outras valências e com outras atividades, como é o caso do uso das redes sociais para unir os nossos idosos aos seus familiares emigrados, quebrando, assim, a saudade dos seus.”
“Importa agradecer aos responsáveis da Santa Casa do Nordeste por permitirem que utilizemos os seus espaços com estes projetos”, salienta ainda o autarca.

Data de Publicação: 2 Fevereiro, 2017

Entrevista Paula Duarte

ENTREVISTA Paula Duarte
Doente oncológica

 
Em 2004 foi detetado um cancro da mama a Paula Duarte. A doença apanhou-a de surpresa – como acontece a quase todas as pessoas que passaram por esta situação – e manifestou-se num estado já muito grave, tratando-se de um tumor abrasivo além de pouco comum.
Do diagnóstico à “cura” do cancro, a paciente relata-nos as diferentes fases da doença, dando-nos o seu testemunho sobre o que é ser um doente oncológico e sobre algumas práticas que poderiam ser implementadas a bem do conforto psicológico destes doentes.
Esta entrevista surge a propósito do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, que se assinala a 4 de fevereiro, tendo a Paula Duarte aceitado o convite do município do Nordeste no sentido de dar o seu contributo para o esclarecimento da doença.
A Paula Duarte é funcionária da Escola Básica e Secundária do Nordeste, é natural da freguesia da Salga e reside na Lomba da Fazenda.

 
 

Que tipo de cancro teve?
O meu cancro chamava-se Doença de Paget Mamária. É raro e responsável por 1% de todos os cancros da mama.

 
Como lhe foi detetado o cancro?
Foi detetado através de um líquido que me saiu do mamilo. Ao reparar no líquido, fui ao Centro de Saúde falar com a minha médica de família. Na altura, disse-me que talvez fosse uma alergia aos soutiens (eu usava sempre o mesmo tipo de soutien) e que desse ali Betadine.

Fui para casa, fiz as aplicações indicadas, mas não passou. Voltei ao Centro de Saúde, tendo a médica de família pedido a avaliação de um dos médicos que se encontravam de serviço. A avaliação do médico foi que deveria tratar-se de uma alergia qualquer, e deu-me a medicação para a alergia. Mas, como tenho uma prima médica em Ponta Delgada, que é ginecologista, telefonei-lhe a dar-lhe conta do estado em que eu me encontrava. Disse-me para aplicar no mamilo Fucidine e Betadine, durante sete dias. Depois disso, caso persistisse, deveria ir lá a baixo . Na altura, até usava umas compressas, uma vez que me incomodava o líquido no soutien.

Passaram-se os sete dias, e tal foi o meu espanto verificar que continuava tudo igual. Fui para Ponta Delgada, e a minha familiar fez-me uma biopsia ao líquido e ao sangue do mamilo. Logo que ela me fez a biopsia, adiantei-me a dizer que aquilo ia ser um cancro, mas ela chamou-me de doida, dizendo que não seria nada disso.
Depois disto, vim para cima e aguardei o resultado do exame.

 

Até ir à consulta do médico de preparação para a operação, tinha sempre na cabeça que me tinham trocado os exames, que aquilo não podia ser comigo.

 

Como reagiu e como reagiram as pessoas mais próximas de si?
Quando chegaram os benditos resultados, fui novamente à consulta a Ponta Delgada.

Entrei para falar como a médica e fui logo dizendo que era um cancro, mas ela voltou a dizer que não, que não era nada disso.

“Se eu vou é ter isso, até já preparei a minha cabeleira e tudo”. Disse-lhe nessa consulta. Mas, claro, disse-o na expectativa de que não ia ser comigo.

Ela lá abriu a carta, e começa a ler “paget, paget, paget…” Pega no telefone e liga para uma colega sua e, a seguir, para a doutora que fazia as mamografias. E depois ainda para outro colega. E eu a ouvir aquilo tudo. A seguir a isto, saiu do consultório comigo, dizendo às pessoas, que se encontravam na sala, “olhem, se quiserem esperar esperem, se não quiserem, eu tenho um assunto urgente a ser resolvido agora.”

Foi comigo para a doutora da mamografia. Foi-me feita uma ecografia, onde foram detetados vários gânglios, incluindo três na axila. Naquele momento, senti o mundo a desabar sobre a minha cabeça… Só pensei “vou morrer, não tenho mais hipóteses.”
A doutora, por sua vez, só me dizia, “tenha calma, tenha calma”.

Foi uma grande especialista e uma grande amiga. No fim do exame, tirou-me a chave do carro, porque não queria que eu fosse a conduzir para cima. Quanto a mim, ia, nos corredores do hospital, de lado a lado. Nessa hora, encontrei uma Paula, que é daqui de cima, que me perguntou o que se passava, e a minha prima contou-lhe. A partir daí, nunca mais me largou, foi a minha pedra naquele momento, até irem buscar-me a Ponta Delgada.

A seguir fui operada, aqui em Ponta Delgada. Mas, até ir à consulta do médico de preparação para a operação, tinha sempre na cabeça que me tinham trocado os exames, que aquilo não podia ser comigo.

Quando o médico me chamou, disse-me que não tinha nenhuma hipótese e que era para amputar, o quanto antes. Fiz a amputação da mama. Tinha que estar lá cinco a sete dias antes e estive 12.

Tinha o meu filho, que nem tinha dois anos, tendo sido um dos grandes problemas com que me deparei: quando eu o podia abraçar, antes disto tudo começar, não o fazia tanta vez porque tinha a casa para arranjar ou as comidas para fazer. E quando o quis abraçar, naqueles momentos, não podia pegar nele ao colo.

Foi um choque muito grande para as pessoas. A minha mãe e a minha irmã não eram de falar no assunto, mas eu via-o no silêncio e sabia que choravam depois. O meu filho quando foi ver-me  – porque eu queria vê-lo – não subiu ao piso onde eu estava internada, convencido pela enfermeira de que havia muitos bicharocos lá em cima. Então, desci. Quando ele me viu, foi na corrida para me abraçar, mas, com o robe e os dois drenes, nem podia pegá-lo ao colo. Foi bastante difícil. Uma das estratégias que arranjei foi trabalhar a mente. Tive uns tempos em que não me via ao espelho, fiquei mal com o espelho.

 

Um momento difícil do cancro é a queda do cabelo. Cai de hoje para amanhã.

 

Psicologicamente, como foi gerindo a situação?
Trabalhei a mente. E tentei trabalhar sempre, não fiquei em casa. Uma das soluções que encontrei foi fazer renda xilena na Casa de Trabalho do Nordeste. Enquanto ali estava, tinha a cabeça ocupada.

Ainda estava com os pontos, e disse ao médico que tinha de ir trabalhar, caso contrário entraria em paranoia. Quando me deu alta, eu já estava a trabalhar há muito tempo. Enquanto estava aqui na escola com as crianças estava bem.
Um momento difícil do cancro é a queda do cabelo. Cai de hoje para amanhã.

 
Do diagnóstico à cura, a que tratamentos teve de ser submetida e por quanto tempo?
Quando vim da operação, tive de vir para a Oncologia. Pertenci à família da Oncologia e, depois, na Oncologia, o médico disse-me que tinha uma infeção, sobre a qual não havia tempo a perder, uma vez que o tumor era abrasivo e diferente. Dada a infeção, não poderia fazer o tratamento e, assim, mandou-me para casa. Vim para casa, fiz o tratamento da infeção e então voltei para baixo. Tive cinco tratamentos de quimioterapia para fazer – que não desejo a ninguém, nem aos animais, é horroroso – mas fiz só quatro.

Após as sessões de quimioterapia, fui ao continente fazer a radioterapia. Fiquei com um tratamento pendente, caso precisasse de o levar. No continente, estive 5 semanas, sendo um tratamento que não custa nada. Estive numa clínica, que eu chamava de hotel cinco estrelas. Os profissionais de saúde eram muito jovens, tão amigos e tão preparados para lidar com este tipo de pessoas, porque nos tornamos pessoas muito frágeis, somos como porcelana. Quando as pessoas nos dizem “coitada”, é horroroso, o coitado nisto é péssimo.

 
Ficou com medo de que os tratamentos não resultassem?
Como eu via a correria dos médicos, a primeira reação que tive foi essa, medo de que não resultasse. Além disso, na primeira consulta, a enfermeira chama-nos e informa-nos do que nos vai acontecer: a queda do cabelo, os vómitos e outros sintomas. Informou-me de que o tratamento feito com capacete de gelo provavelmente evitaria a queda do cabelo, e eu, claro, optei pelo capacete. Colocou-me o capacete de gelo na cabeça – eu tinha de estar quatro horas com aquilo na cabeça – e aos 10 minutos não aguentei o frio (era muito frio). Pensei e disse à enfermeira, que mais cabelo menos cabelo não importava.

Eu via as máquinas a apitar e lá iam as enfermeiras a correr, tendo por vezes de chamar o médico. Tinha medo de ouvir o apito da máquina, por ser sinal de que não estava a levar o tratamento (a quimioterapia) e se não o estivesse a levar não sobrevivia.

 

Atrevo-me a solicitar que a equipa da Consulta de Enfermagem à Pessoa com Cancro da Mama lute pela alteração de um sistema redutor ao nível do acesso à cirurgia de reconstrução da mama.

 

Que avaliação fez na altura do pessoal médico e dos hospitais que a assistiram?
Em Ponta Delgada, todas as vezes que eu saía das consultas de oncologia, ia ver a enfermeira chefe (Olívia) que além de enfermeira foi irmã, foi amiga, foi tudo.
Deixava-me passear naqueles corredores. Nos meus doze dias, fiz as minhas caminhadas: ia para baixo, ia à capela e voltava para cima. Ela, às vezes, dizia-me “vai ali ao híper…”. E eu lá lhe respondia “ó senhora, como é que eu posso ir ao híper! Eu não posso.”

Dei-lhe sempre os meus louvores. Como não tinha escola, não conseguia manifestar-me através dos jornais, mas manifestava-me através do que sentia por elas. Mesmo a enfermeira que me assistiu – porque ela largava de comer para me fazer o penso – ainda hoje é uma das pessoas que me abraça e me beija, quando nos encontramos, com aquela amizade.

Há pouco tempo, fiz um voto de louvor às enfermeiras da Consulta de Enfermagem à Pessoa com Cancro da Mama, pois quando sou atendida nas consultas sinto, por parte daquelas técnicas de saúde, uma extrema disponibilidade e atenção para me auxiliar neste doloroso processo, aceitando, apoiando e valorizando todas as manifestações emocionais e desenvolvendo todos os esforços para conseguirem disponibilizar próteses mamárias externas, soutiens adequados a estas próteses, ou outros materiais e apoios necessários.

Ficamos muito sensíveis a tudo ali, e elas é que são o nosso braço direito para nos dar força. Falava com a enfermeira Ana, esta semana, e ela dizia-me quantas pessoas saem dali a dizer vamos fazer isto e aquilo na vida, mas depois chegam a casa e a família, os filhos e os maridos não ajudam. Assim como, aquelas pessoas que deixaram sair com vida, e que depois encontram mortas.

Uma pessoa deixa de se importar com a imagem, não se importa consigo. Ninguém imagina a falta de uma mama, psicologicamente é a parte mais feminina da mulher, falo por mim.

Atrevo-me a solicitar que, em prol do nosso bem-estar, para doentes que ainda não fizeram reconstituição mamária, que a equipa da Consulta de Enfermagem à Pessoa com Cancro da Mama lute pela alteração de um sistema redutor ao nível do acesso à cirurgia de reconstrução da mama e pelo direito à opção de escolha para estas reconstituições, não nos limitando às opções da realidade insular, mas sim abrindo-nos um leque de opções mais amplo no continente português, sem querer com este pedido ferir suscetibilidades, pois reafirmo que o HDES tem excelentes profissionais, nas mais diversas áreas.

Reconheço também a ajuda da equipa do Dr. Rui San Bento; das secretárias Graça e Mena; da enfermeira Belina. Agradeço e reconheço, igualmente, todo o apoio e compreensão do conselho executivo de então da escola, bem como do atual, que me têm atribuído serviços moderados e de acordo com a minha condição.

Não posso deixar de reconhecer o apoio permanente e aconselhamento da minha médica de família, Dr.ª Gabriela Amaral.

 

Às vezes não consigo ver-me com uma blusa e vou trocar por outra mais larga, sinto-me desconfortável comigo.

 

Passar por uma situação tão difícil trouxe algumas alterações na sua forma de viver?
Muitas. Falo muito no exemplo da dedicação à casa. Hoje, eu fecho a minha casa com camas por fazer e a loiça por lavar. É-me indiferente. Acho mais importante sair e dar um passeio ou encontrar-me com alguém do que propriamente estar a cuidar da casa. Outra das coisas, são os esforços físicos. Fui preparando a mente para o facto de não poder pegar em coisas pesadas. Passei a viver mais a parte espiritual do que propriamente a parte material.

Uma situação que me preocupa bastante é a própria Liga . Eu própria já tive sessões com a Liga. Transmitem a ideia de que se a pessoa chegou ao quinto ano venceu, não morre. É Mentira. Nós não morremos, o que morre é a mente. O apoio psicológico para encarar o futuro é o que conta mais.
Lamento que a Liga Portuguesa Contra o Cancro dos Açores (que apresenta como sendo um dos seus principais objetivos dar continuidade ao Movimento “Vencer e Viver”, que consiste no apoio a doentes oncológicos com cancro de mama) seja uma instituição esquiva e pouco atenta aos pedidos e anseios de pessoas que vencerem o cancro da mama e que não nos apoie devidamente.

Eu estou com esta doença e fiquei sensível. Qualquer coisa me magoa e mexe com a minha autoestima. Às vezes não consigo ver-me com uma blusa e vou trocar por outra mais larga, sinto-me desconfortável comigo.

Uma das situações que me chamou à atenção, foi um certo dia ir ao Aquaparque de Vila Franca do Campo – não tinha um soutien porque são bastante caros, custa à volta de 120/130 euros – e fui de t-shirt e um calção. Tal foi o meu espanto quando o rapaz que trabalhava no recinto se dirige a mim, dizendo que eu não podia estar com aquela roupa ali. E respondi-lhe “sabes que eu não tenho uma mama…?” Nesse momento, o rapaz ficou um pouco estático. Acrescentei que não tinha uma mama e que não tinha fato de banho para ir ali, e que quando entrei no recinto não me tinha sido dito que quem não tinha uma mama não podia entrar. Acabei o dia e fui-me embora, mas, passando-se o mesmo com uma pessoa que não funciona como eu tento funcionar, é a morte do artista. Acho que a Liga deveria trabalhar mais a parte psicológica das pessoas.

 
Tem preocupações especiais de combate ao reaparecimento da doença?
Uma das coisas que fiz passou por ter muito cuidado com a alimentação. Passei a comer mais vegetais e legumes. Das carnes, apenas como frango, porque dizem que as outras carnes são mais prejudicais para a saúde. Bebo bastantes líquidos e faço muitas caminhadas.

 
Que mensagem deixa às pessoas que neste momento lidam com a doença?
Que vão em frente, que somos capazes e que quem não o consegue que peça ajuda. Não se fechem em si próprias. Uma das coisas que eu também deixei foram os antidepressivos. Pensei: se eu venci isto sem comprimidos, vou vencer agora sem eles.

Quando não encontramos apoio na Liga vamos ao hospital. Quando não encontramos no hospital vamos às assistentes sociais, que são preparadas para isso. Devemos também encontrar outras pessoas amigas. Se eu sei de alguém que fez esta operação, tento ligar para essa pessoa e se precisar de ajuda estou aqui.

 
E para todos nós – porque ninguém está livre de passar pelo mesmo – tem alguma mensagem a deixar?
Uma das mensagens que circulam e que eu ouço, passa por evitar os vícios, como o tabaco e o álcool. Portanto, parte dos cancros também é isso. Por outro lado, que se faça mais atividade física, que deixem as suas casas e que saiam. As casas são só para dormirmos, saiam.

A alimentação também tem muito a ver com a doença. Do mesmo modo, devemos prestar atenção regular ao nosso corpo, porque às vezes são pequenas coisas a que não ligamos, e com as quais não estamos a contar, mas que aparecem.

Data de Publicação: 2 Fevereiro, 2017

II Encontro de Escolinhas de Voleibol

II Encontro de Escolinhas do Desporto da modalidade de voleibol
 

No passado sábado, realizou-se o 2º Encontro de Escolinhas de Voleibol, com a participação de 11 crianças dos cinco núcleos do concelho do Nordeste.

A Câmara Municipal do Nordeste é a promotora do projeto Escolinhas do Desporto no concelho, em parceria com a Escola Básica e Secundária do Nordeste, com a Associação de Voleibol de São Miguel e Clube Desportivo de Santo António Nordestinho, no âmbito do Projeto ProSucesso – NordestEduca.

O projeto Escolinhas do Desporto visa promover a interação das crianças, de todas as freguesias do concelho do Nordeste, bem como promover novos interesses na área do desporto, conciliado com os benefícios que tem para a saúde, para o desenvolvimento de competências sociais e para a aquisição de valores, como são o trabalho em equipa e a disciplina.

Além da modalidade de voleibol, as crianças do concelho têm a oportunidade de desenvolver a prática de badminton, também no âmbito do projeto Escolinhas do Desporto.

Data de Publicação: 1 Fevereiro, 2017

Redução de custos com resíduos

Câmara do Nordeste protege postos de trabalho e reduz custos de tratamento e depósito de resíduos
 

A Câmara Municipal do Nordeste, em reunião de 4 de janeiro do corrente, aprovou, por maioria, ceder parcialmente o crédito que detém sobre a Nordeste Ativo E.M., S.A., no montante de 300 mil euros, como forma do pagamento da joia de inscrição na AMISM (Associação de Municípios de São Miguel).

O valor de 300 mil euros resulta da aquisição, pela empresa municipal Nordeste Ativo, de todos os reservatórios de água do concelho, até então propriedade da câmara municipal.

Face à intenção da autarquia, o conselho de administração da Nordeste Ativo, aprovou, com base na avaliação das instalações de tratamento de resíduos, propor o pagamento do crédito em dívida à AMISM, através da transmissão do estabelecimento e atividade do Aterro Sanitário do Nordeste.


Adesão à AMISM

A Câmara do Nordeste formalizou, no início de 2016, a intenção de adesão do município à AMISM, mediante o pagamento, por parte da autarquia, de uma joia no valor de 300 mil euros.

Com a adesão do município, a empresa MUSAMI, que gere o sector do tratamento de resíduos, adquire à empresa municipal Nordeste Ativo a instalação e toda a atividade inerente ao tratamento de resíduos.

Para a Câmara do Nordeste, a adesão à AMISM trará benefícios relativamente ao custo do tratamento e depósito do lixo indiferenciado, que atualmente tem um custo por tonelada de 200 euros e que passará para 31,80 euros, evitando-se, desta forma, o aumento exponencial do tarifário a aplicar aos munícipes, cuja atualização, prevista para os próximos 15 anos, será determinada pelo valor do índice de preços da Região.

O município do Nordeste vê também vantagem na eliminação de custos futuros com a selagem da atual célula de depósito de resíduos, que decorrerá sob responsabilidade da MUSAMI.

Por outro lado, o município liberta-se de uma atividade deficitária, uma vez que o resultado da exploração direta da atividade do aterro é negativo, concretamente no valor de 85.450 mil euros, referente ao ano de 2015, conseguindo, assim, folga financeira para garantir a atividade da empresa Nordeste Activo, evitando a sua extinção, internalização e despedimento dos respetivos trabalhadores, cuja nova lei (Lei 69/2015 de 16 de julho) estabelece a eliminação de uma atividade deficitária e a consequente redução de custos.

“A adesão do município do Nordeste à AMISM permitirá ainda à autarquia poupar mais de 220 mil euros por ano com o tratamento do lixo indiferenciado, levando, deste modo, a uma melhoria significativa na gestão da empresa municipal e, ao mesmo tempo, à prevenção de despedimentos dos trabalhadores da empresa Nordeste Ativo”, referiu o presidente da Câmara do Nordeste, Carlos Mendonça, a propósito da integração na AMISM.

Data de Publicação: 31 Janeiro, 2017

Câmara desafia restauração para a qualidade

Câmara do Nordeste desafia restauração para a qualidade

 

A Câmara Municipal do Nordeste premiou, no passado dia 27 de janeiro, os espaços da restauração que concorreram ao Concurso Gastronómico de Inverno, lançado pela Associação de Desenvolvimento Local do Nordeste (ADLN), com a finalidade de promover a qualidade e a diversidade da oferta gastronómica do concelho.

 A Casa de Pasto O Cardoso, o Snack-bar O Forno e o Snack-bar Jarrinha – estabelecimentos que concorreram ao concurso – tiveram uma oferta diferente na segunda quinzena de dezembro, em resultado do concurso, sendo a ementa diária composta por uma sopa, por um prato de peixe e por outro de carne, além de uma sobremesa, nos quais puderam votar os clientes.

A Casa de Pasto O Cardoso arrecadou o certificado de melhor prato de peixe, sendo O Forno certificado com o melhor prato de carne e com a melhor sobremesa. Apesar de ter ido a concurso, nenhum espaço se candidatou à categoria de melhor sopa.

O Concurso Gastronómico resulta da vontade manifestada pelos empresários da restauração, no sentido de que os eventos de promoção da gastronomia local tivessem lugar nos próprios estabelecimentos e com maior frequência, em detrimento das feiras gastronómicas, que implicam uma logística mais pesada para os empresários.

Na entrega dos certificados e dos diplomas de participação, o presidente da Câmara do Nordeste, Carlos Mendonça, referiu-se ao Concurso Gastronómico como sendo uma iniciativa de sucesso, a contar com a participação conseguida, onde mais de uma centena de pessoas deixou a sua votação nos boletins de voto disponibilizados pelos restaurantes.

A Câmara do Nordeste pretende dar continuidade a eventos deste género, promotores da qualidade e da diversidade da oferta gastronómica local, a repetir em diferentes períodos do ano, disse Carlos Mendonça na ocasião, fazendo votos de que os próximos concursos possam contar com a presença de toda a restauração do concelho, a bem da qualidade e da diversidade da oferta local.

Data de Publicação: 31 Janeiro, 2017

Atleta com novo recorde nacional

Atleta da Nordeste Jovem estabelece novo recorde nacional

 

O núcleo de atletismo adaptado da Nordeste Jovem marcou presença no Campeonato de Inverno, realizado no dia 21 de janeiro, no complexo desportivo das Laranjeiras e promovido pela Associação de Atletismo de São Miguel.

O campeonato contou com a participação de uma centena de atletas do desporto adaptado, superando todas as expetativas quanto à adesão dos atletas, sendo um forte indicador do crescimento do atletismo adaptado na ilha. Da Nordeste Jovem, participaram 8 atletas, com novos máximos pessoais estabelecidos no sentido de melhorar as marcas alcançadas em anos anteriores.

A surpreender todos os presentes, o atleta Alexandre Garcia Rodrigues, da Nordeste Jovem, atual recordista nacional dos 1500m marcha, esteve em evidência ao estabelecer um novo recorde nacional, melhorando a sua marca para 8.17.60 minutos. O atleta tem vindo a revelar um bom desempenho, tendo sido convocado para marcar presença no Campeonato Nacional de Atletismo Adaptado, a realizar-se na cidade de Braga, no dia 4 de fevereiro.

 
Alexandre Rodrigues

Data de Publicação: 30 Janeiro, 2017

Orçamento Participativo

Orçamento Participativo promove Formação Pedagógica de Formadores

 

Respondendo a uma das solicitações da população no âmbito do Orçamento Participativo, a Câmara do Nordeste avançou, no último trimestre de 2016, com uma Formação Pedagógica de Formadores, gratuita, destinada a residentes do concelho com habilitação académica igual ou superior ao 12º ano.

Os 15 inscritos, todos com aproveitamento do curso, ficaram aptos a dar formação em escolas profissionais e noutras entidades vocacionadas para a formação profissional.

A formação teve a duração de um mês de meio e foi ministrada pela Norma Açores, tendo a empresa, por solicitação do município, optado por recrutar dois formadores do concelho do Nordeste para o efeito.

Na entrega dos diplomas, nos Paços do Concelho, o presidente da autarquia, Carlos Mendonça, disse ter a intenção de dar continuidade a formações no concelho, dirigidas a diferentes públicos e de diferentes áreas, dando como exemplo o Curso de Aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos, que terá início em breve e cuja participação será gratuita.

“Esta é também uma obra de enorme interesse para o Nordeste, obra com pensamento futuro e com retorno, pois é uma aposta na juventude, na formação e qualificação e ao mesmo tempo no desenvolvimento socioeconómico no concelho”, acrescentou Carlos Mendonça.

Formação Pedagógica

Data de Publicação: 27 Janeiro, 2017

Câmara comemora as Estrelas

Câmara do Nordeste comemora as Estrelas

 

A Câmara Municipal do Nordeste, de 31 de janeiro a 3 de fevereiro, promove mais um Cantar às Estrelas em diferentes freguesias do concelho.

As freguesias contempladas este ano com o Cantar às Estrelas serão São Pedro de Nordestinho, no dia 31 de janeiro, a Achadinha a 1 de fevereiro, a Algarvia a 2 de fevereiro e a Salga no dia 3 fevereiro.

A concentração para o Cantar às Estrelas terá lugar no largo da igreja de cada freguesia, pelas 19h00, devendo a população juntar-se aos cantares e ao folclore locais que integram o evento.

Data de Publicação: 27 Janeiro, 2017

Mais de 40 crianças nas Escolinhas de Badminton

Mais de 40 crianças nas Escolinhas do Desporto de Badminton

 
A Câmara Municipal do Nordeste, em parceria com a Associação de Badminton de São Miguel e o Clube Desportivo de Santo António Nordestinho, promoveu, no passado dia 21 de janeiro, o segundo encontro, da época de 2016-2017, das Escolinhas do Desporto de Badminton, na Escola Básica e Secundária do Nordeste.

Marcaram presença no encontro 43 crianças, dos diversos núcleos de badminton do Clube Desportivo de Santo António Nordestinho.

Além das Escolinhas de Badminton, o município do Nordeste e as entidades parceiras implementaram no concelho as Escolinhas de Voleibol.

No âmbito do ProSucesso-NordestEduca, as Escolinhas do Desporto visam oferecer às crianças variedade na prática desportiva, assim como promover a melhoria da saúde infantil e o desenvolvimento de competências sociais.

 
Dadminton

Data de Publicação: 26 Janeiro, 2017

Crónica de Um Amor Apregoado – Prémio Dinis da Luz

Por Joana Moniz Matos

Crónica vencedora do Prémio Dinis da Luz 2016

 

CRÓNICA DE UM AMOR APREGOADO

 
Dizem que a pior maneira de ficar na ilha, é saindo dela…

Garanto-vos que é verdade. E a verdade, mais do que nos fazer sofrer, corrói. Corrói de tal forma brusca e intensa que acabamos por sentir um certo prazer nesse sofrimento constante que nos tira o folego. Esse sofrimento indiscritível a que o Povo Lusitano decidiu chamar saudade. E eu senti tantas – mas mesmo podrizes – de saudades. Desde o banco de cimento virado para a encosta e para o nosso, tão nosso, manto azul na Borda da Ladeira (que, para quem não sabe, é um miradouro que fica situado a meio do concelho, na terra que me viu crescer) até à fatia de pão caseiro a escaldar na mão e a transbordar de manteiga, sempre que chegava a sexta-feira…
Mas eu parti. Entre o esconder das lágrimas que teimosamente escorriam pelo meu rosto fora e o rasgar de um sorriso que parecia não ter limites nem fim. Parti. Não fui para a guerra. Não emigrei. Parti. Apenas parti porque estava na hora de sair. De deixar. De ir.

Fui, sabendo que voltaria, e por isso mesmo pensei que assim as coisas ficariam mais fáceis de suportar. Até hoje não consigo saber se isso realmente ajudou em alguma coisa mas fiquei a saber de muitas outras. Descobri que uma das minhas melhores decisões foi ter escolhido a área que escolhi estudar e dar vida porque se há coisa em que me tornei rapidamente foi numa verdadeira Relações Públicas dos nossos pequenos grandes ilhéus, situados no meio do Atlântico.

Where are you from?
I’m from Portugal, but not from Lisbon or Porto. I’m from the islands. Azores.
From the islands? Really? Portugal has islands?

E a partir daí, uma conversa que tinha por hábito terminar num espaço de três a cinco minutos, facilmente se transformava numa conversa de horas, e horas, e horas… Uma conversa com direito a mapas, fotografias e vídeos. Uma conversa onde o entusiasmo dominava e ainda havia espaço para uma pitada de orgulho. Como poderia eu não sentir orgulho das ilhas, da minha ilha, do meu Nordeste?

Yes. We are nine islands. I’m from São Miguel and our main city is Ponta Delgada.
That’s sound really nice. And you live in the city?
Actually, no. I live in the farthest place comparing to the main city. I live in Nordeste.

Ficavam apreensivos. Achavam a ideia de viver longe da cidade principal algo terrivelmente assustador – mas depressa a opinião deles mudava. Como poderia não mudar? Mostrava-lhes tudo.

O Salto da Farinha, a Ribeira dos Caldeirões, a Vigia das Baleias, o Pico da Vara, a Borda da Ladeira, a Senhora do Pranto, a Boca da Ribeira, a Ponte dos Sete Arcos, a Praça, os Viveiros, os miradouros, as fajãs, os trilhos…

Falava-lhes de como era bom acordar com o chilrear dos pássaros; de não passar um dia sem ver o mar; de parar o carro no meio da estrada para uma vaca poder passar; de morar entre as encostas altas e verdejantes; de nas noites de verão ouvir os cagarros a voar até ao Pico da Vara; de ter os mais belos nasceres e pores-de-sol; de termos um pássaro só nosso, tão pequenino quanto misterioso; dos nossos recantos repletos de flores; dos serões nos jardins ao som das nossas tão emblemáticas filarmónicas, grupos de cantares e folclores; de pertencermos todos ao mesmo concelho e ainda assim falarmos de forma diferente (às vezes parece que comemos as palavras, com a pressa que as dizemos; outras vezes, arrastámo-las dizia-lhes, e eles respondiam-me com um sorriso tão curioso que eu achava delicioso).

Falava-lhes da tranquilidade, da paz interior, do sentimento de pertença. Do que é ser nordestense, do que é ser um dos nossos, do que se sente por fazer parte deste nosso cantinho a nordeste da Ilha.

Falava-lhes daquilo que temos e que mais ninguém tem; daquilo que somos e mais ninguém é.

Ficavam encantados. Diziam que eu era uma rapariga cheia de sorte por viver no Paraíso. E eu concordava, com os olhos a brilhar, de coração ao alto, quase a rebentar de tanto orgulho e com um sorriso tão grande nos lábios que parecia não caber no meu rosto…

Regressei. E depois de algum tempo longe do verde, das cascatas, dos canteiros com flores, dos cagarros, dos trilhos e do mar, consigo sentir tudo muito mais de perto. Bem mais de perto. É como se tudo o que eu tivesse espalhado aos quatro ventos, lá, bem longe, naquele lugar do mundo tão grande e agitado, fizesse ainda mais sentido. Cada vez mais sentido.

Pessoalmente, acho que merecemos tudo. E é precisamente por achar que merecemos mais e melhor que não consigo suportar a ideia de nós, nordestenses, permanecermos, muitas das vezes, de braços cruzados, à espera que a beleza do nosso cantinho a nordeste da ilha nos salve das marcas do tempo e do espaço.

Devemos parar de ser egoístas ao ponto de acharmos que nada é preciso ser feito só por já vivermos no Paraíso – porque para viver não basta existir, é necessário acreditar e, acima de tudo, saber defender aquilo que tanto acreditamos.

Por quem nos visita e, principalmente, por nós mesmos que aqui nascemos, crescemos e vivemos; que somos parte daquilo que é o Nordeste.

Regressei e estou aqui, na terra que me viu crescer, porque mais do que acreditar naquilo que temos, acredito naquilo que somos.

E, para mim, somos enormes.

Data de Publicação: 25 Janeiro, 2017

Nordeste Um Cantinho a Visitar

Por Vanessa Ferreira

 

Nordeste Um Cantinho a Visitar

 

Nordeste terra distante
Mas de uma beleza excecional
Tens paisagens de diamante
Natureza sem igual.

 

Muitas paisagens podes encontrar
Entre a Salga e a Pedreira
E até podes visitar
A nossa bela orla costeira.

 

Aqui vês o sol nascer
Com grande força e iluminação,
O nordeste tem muito para te oferecer
E para sempre ficará no teu coração.

 
Nordeste paraíso encantado
Com tuas vestes verdejantes,
Tens um lindo mar azulado
Encantas todos os teus visitantes.

 
Nordeste concelho de qualidade
Com seus costumes e tradições,
Oferece-nos tranquilidade
Na ribeira dos Caldeirões.

 
Presenteia-nos com o sol a nascer
Através de uma vista encantada,
Trás teus amigos e vem conhecer
O Miradouro da Ponta da Madrugada.

 
Na Algarvia está situado
Com uma vista bela e rara,
Por muitos é visitado
O mais alto da ilha – o Pico da Vara.

Aqui a ilha é outra.