Potencialidades turísticas do Nordeste
O coordenador do Produto Turístico dos Açores, da Associação de Turismo dos Açores, José Eduardo Toste, esteve no Nordeste para falar da oferta e das potencialidades deste concelho para atrair o turismo. A iniciativa de criar o debate à volta das potencialidades do concelho partiu da câmara municipal, convidando os promotores turísticos locais, assim como a população, a ouvir e a propor ideias para o crescimento do setor do turismo no Nordeste.
José Eduardo Toste começou por falar da importância de conciliar a oferta paisagística com o património cultural e também com o turismo ativo.
No que respeita ao turismo ativo, a opção passa por identificar o produto que melhor se identifica com o território, indo da observação de aves (não só do priolo como de outras aves, incluindo as marinhas) aos percursos pedestres, com contributos diretos para as freguesias; ao canyoning, tirando proveito das ribeiras, ao mesmo tempo que se promove a sua limpeza e manutenção; O BTT e outras modalidades ligadas ao cicloturismo, com a possibilidade de ser criado no Nordeste um centro de desenvolvimento de BTT, fazendo uso da vasta área florestal do concelho; o Geocaching, como sendo uma prática que tem dado bons frutos nos Açores, se acompanhada de uma monitorização adequada; a promoção de atividades náuticas, nomeadamente da prática de surf na Praia do Lombo Gordo, estando esta praia identificada no guia de surf nacional, e ainda a pesca de água doce em algumas ribeiras, retomando uma tradição deste concelho, não excluindo o turismo equestre e o parapente, tendo este último já alguma prática no Nordeste.
Relativamente à promoção do património cultural, falou-se do interesse da criar algumas rotas temáticas, nomeadamente de valorização dos moinhos de água, dos museus etnográficos ou do património religioso, tirando-se de mais esta oferta alguma receita para a preservação do próprio património.
As boas práticas ambientais, salvaguardando o facto de os Açores terem recebido recentemente o título de principal destino de turismo sustentável na Europa, e estar entre outros destinos sustentáveis ao nível mundial, são outras ações a que deve o Nordeste dar continuidade e melhorar, nomeadamente no alojamento local, na restauração e noutros serviços afetos ao turismo, assim como no próprio tratamento dos resíduos urbanos e na limpeza do concelho.
Nas infraestruturas hoteleiras, as casas de turismo rural são vistas como as mais adequadas a um concelho rural como o Nordeste, havendo já neste concelho um número de ofertas significativo.
Em complemento ao alojamento, serão de ter em consideração aspetos fundamentais como a implementação da gastronomia local na restauração; a promoção do artesanato genuíno do concelho; a valorização da atividade agrícola, através de quintas ou de outros espaços que permitam um turismo de experiências, e ainda a oferta de um programa de lazer, com calendário fixo, que inclua o mais tradicional e singular da cultura local, envolvendo as filarmónicas, o folclore, os cantares e outros movimentos, tendo sempre presente que o que atrai o visitante é a oportunidade de vivenciar o mais genuíno da terra que o acolhe.
No fim do debate, bastante participado pelos presentes, a Câmara do Nordeste, através do vice-presidente, Milton Mendonça, mostrou a abertura do município para apoiar os empresários do setor do turismo a melhorar ou a criar novas ofertas, através da Incubadora de Empresas, que se encontra em fase de instalação, numa colaboração entre a autarquia e a SDEA.